quarta-feira, 9 de junho de 2021

 

Desenho, natureza e poesia: encontro



Durante esse último ano, o Jardim Botânico RJ está sendo o meu lugar de encoontro multi sensorial com a natureza. As caminhadas e a contemplação nutrem a pulsão primordial da vida. Nessas visitas vou acompanhada do meu caderno de desenho, diário gráfico (sketchbook), para registrar momentos e detalhes do meu encantamento. Lembro das palavras de Henry David Thoreau:

Ela (a natureza) pode fazer o globo girar constantemente, ela pode aquecer sem fogo, ela pode alimentar sem alimento, el pode vestir sem roupas, ela pode abrigar sem telhado, ela pode criar um paraíso interior que dispensa qualquer paraíso exterior.

As árvores são incríveis, cheias de texturas e histórias escondidas. Eu as desenho como se tentasse encontrar seus segredos. É tudo mistério...

Fui presenteada com os poemas da professora da Letras da PUC-Rio, Érica Rodrigues, inspirados pelos meus desenhos. A surpresa me emociona: o encontro entre imagem, palavra e folhas ao vento...



Poema para a pitombeira:
Seres entrelaçados
Anciãos
Sabedorias escondidas
Tronco ou raiz...
Como saber?
O que os botânicos veem?
O que as crianças veem?
O divino
O inefável
A terra
O princípio e o fim.
Amém!

Poema de Érica Rodrigues para esse desenho quando postado no meu Instagram @nathaliasacavalcante 




Desatino
Porque ainda há de haver poesia nos dias cinzentos, nos ramos retorcidos, no abandono.
O pássaro aguarda, sentinela, antes do próximo voo.
Inveja a pipa; ela não tem vontade própria. Voa, levada pelo vento, inconsequente.
Quem dera eu ser pipa! Leve, descompromissada, guiada pelo vento, sem tino, sem medo, só sendo.

Poema de Érica Rodrigues para esse desenho quando postado no meu Instagram @nathaliasacavalcante 






  




























segunda-feira, 17 de agosto de 2020

 

Diversidade de rostos

30Faces em 30Dias.

Comecei esse ano desenhando 30 rostos ao longo de janeiro no curso do Sketchy.

Fascinante a variação de expressões, cores, formas, linhas, manchas. 

Um rosto é um enigma a desvendar...
















terça-feira, 7 de janeiro de 2020



O Rio e o mar



"O mar não tem desenho.
 O vento não deixa. O tamanho..."
 Guimarães Rosa em A Partida do Audaz Navegante 






Sábado de verão atípico. Uma tarde nublada oscilando entre um pouco de céu azul e muitas nuvens, temperatura amena e sombra, música dos anos setenta e uma das 
mais belas vistas da cidade. No mirante do Leblon e ao pé do morro Dois Irmãos, 
o Rio é o mar...

Um pequeno quase oásis dentro de uma cidade em dor pela violência, pobreza e descaso. Os turistas, com seus celulares em punho em busca de um segundo de plena felicidade, lembravam o narcisismo da sociedade sonâmbula.

E o mar... sempre o mar... a natureza e seus ensinamentos... sua beleza e sua fúria salpicam gotas salgadas no rosto e nos cadernos de desenho. Estávamos lá, amigos desenhadores, desfrutando do som das ondas e observando as pessoas que circulavam pelo mirante.


Os desenhos correm bem e as conversas também. Desenhar junto é generoso. Cada um com seu olhar, com sua escolha e com suas histórias. Entre ondas, risadas, linhas e cores, o desenho encanta aqueles que ainda olham ao redor. A tarde segue suave a inventar uma realidade que já não é possível. De qualquer forma, desenhamos, desenhamos juntos e olhamos o Rio onde é mar...








segunda-feira, 19 de março de 2018


Desenhos da imaginação 

O desenho vai acontecendo. 
As formas começam a pedir outras formas e a caneta perambula pelo papel...









Dezembro 2017 e janeiro de 2018

sábado, 18 de novembro de 2017



MEMÓRIAS. Torres Vedras.

Desenho-colagem realizado no Rio de janeiro em novembro de 2017

Fui convidada pela Câmera Municipal de Torres Vedras em Portugal para participar do evento Arte no Centro organizado pelo arquiteto e desenhista André Duarte Baptista. Um projeto de fortalecimento de práticas artísticas inclusivas que acontece regularmente na cidade no mês de outubro. Viva!


Inicialmente atuei como formadora (instrutora) e participante do 3º Encontro Internacional de Desenhadores de Rua. Desenhistas de diferentes nacionalidades encontram-se para desenhar juntos em diferentes workshops, cada qual com uma dupla de formadores. 
No meu caso, tive como parceiro o grande aquarelista português Augusto Pinheiro e oferecemos o workshop Encontro de Linguagens – traço e aquarela– para dois grupos.

A experiência como formadora foi marcante. A parceria com Augusto expressou sintonia e complementariedade de conhecimentos e vivências, o que contribuiu para uma oficina com forte engajamento dos participantes e com resultados frutíferos.

A oficina seguinte foi dada para os alunos do curso de arquitetura da universidade Lusófona. Nesse encontro o objetivo foi despertar o envolvimento e a participação dos alunos em relação a observação em sketches. Trata-se de uma estratégia relevante, principalmente, para uma geração conectada com os meios digitais. Acredito que essa atividade tenha contribuído para o entendimento da necessidade da observação atenta e da concentração para desenvolvimento de habilidades no âmbito do desenho.

Nathalia Sá Cavalcante e Augusto Pinheiro formadores do workshop Encontros de Linguagens

Nathalia Sá Cavalcante e Augusto Pinheiro formadores do workshop Encontros de Linguagens


Nos outros dias participei dos workshops de colegas desenhistas usufruindo de diversas propostas interessantes de desenvolvimento do desenho (sketches) de observação direta. Em cada uma das propostas experimentei e descobri outras possibilidades em relação ao desenho que me ajudaram a fortalecer o meu trabalho e abriram portas para novos aprendizados. Foi extremamente gratificante o ambiente de trocas, de solidariedade e de amizade que esse encontro ofereceu. Uma atmosfera harmônica para o aprimoramento de conceitos, de técnicas e também de formas de estarmos no mundo.

Tive pela primeira vez a oportunidade de participar de uma tertúlia com os formadores que fizeram parte do Encontro. A palavra tertulha, particularmente, tem um sentido afetivo ligado a minha infância e as palavras de parentes nordestinos que contavam sobre as tertulhas ou festas cearenses (nordeste do Brasil). Nesse caso, a tertulha foi uma conversa, entre os participantes do encontro, trocando as impressões vividas e os aprendizados. Um momento para pensarmos juntos e podermos saborear um pouco desse experiência tão intensa e significativa. Senti que nesse momento os significados encontraram-se pela via do clima alegre e entusiasmado.

Workshop ministrado por Simon Taylor e Monia Abreu.  Também participei dos workshops
dados por Pedro Cabral/Pedro Alves, Patrízia Estévez/Pedro Sardinha, Isabel Alegria/Pedro Mendes.

Tertúlia com os formadores do 3º Encontro Internacional de Desenhadores de Rua

Fotos tiradas ao final de alguns encontros no 3º  Encontro Internacional de Desenhadores de Rua

Durante a semana seguinte fiz a Residência Artística e atuei como formadora em Oficinas de Inclusão Social pela Arte. A Residência Artística consiste na elaboração de desenhos da cidade de Torres Vedras como registro gráfico de lugares, pessoas, ações e o que possa representar um pouco do cotidiano da cidade.

Contei com o apoio dos organizadores e envolvidos que contribuíram muito para o sucesso das oficinas. Em cada uma dessas oficinas propus a elaboração de livro-sanfona com a representação das lembranças da infância e de sonhos para o futuro reunidos em uma mesma folha de papel dobrada. Os adolescentes e pré-adolescentes participaram desenvolvendo ideias criativas a partir da singularidade de cada aluno.

Fiquei muito contente de poder conhecer um pouquinho do cotidiano do ensino de Torres Vedras e interagir com professores e alunos locais.


Espaço Cultural Porta 5. Apoio de Ana Dulce Avelino, Joana Alves, Catarina Gomes

Porta 5 – grupo de pré-adolescentes com etnia cigana

Escola Padre Vítor Melicias. Alunos da profa. Anna Maria Cláudio.
Aluno com baixa visão acompanhado da Profa. Olga Fortunata Daniel

Escola Básica Maxial com prof. João Batalha e as representantes
da Câmara Municipal Torres Vedras, Joana Alves e Catarina Sobreiro



Escola Básica Maxial prof. Paulo Carocinho

Também participei com desenhos na Exposição Coletivo Brasil: exposição coletiva de artes visuais na Paços Galeria Municipal com curadoria de Lauro Monteiro. Foi um momento de emoção poder compartilhar um pouco do meu trabalho em outro país. O retorno recebido me surpreendeu e me forneceu ainda mais motivação apara continuar trabalhando e me desenvolvendo.

Desenhos de Nathalia Sá Cavalcante expostos na Paços Galeria Municipal

Paços Galeria Municipal

Apresentação oral do curador da exposição Lauro Monteiro, da vereadora
da cidade Ana Umbelino e dos artistas participantes da exposição Coletivo Brasil.

Os dias em Torres Vedras foram intensos, com muito trabalho. Artistas plásticos, arquitetos, designers gráficos, ilustradores e outros profissionais encontram-se e muitas trocas foram estabelecidas. A experiência de inclusão por meio do desenho, também significou um desafio estimulante e gratificante. A oportunidade em participar da exposição Coletivo Brasil –  junto com outros de artistas brasileiros – ampliou ainda mais a parceria cada vez mais forte entre Brasil e Torres Vedras.

Agradeço profundamente a todos que participaram de alguma forma dessa experiência tão especial e significativa para o meu aprimoramento como desenhista, para o meu trabalho como professora e, para a minha experiência pessoal e humanística.